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Para justificar a aplicação de sobretaxas a produtos importados do Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país foi um dos que “ficaram ricos” impondo tarifas aos EUA. Os números, porém, desmentem totalmente a afirmação. Em março, a balança comercial entre os dois países foi favorável aos norte-americanos em cerca de US$ 500 milhões, conforme publicou o jornalista e comentarista do ICL Notícias Jamil Chade em sua coluna da terça-feira (6) no site UOL.
Os dados são do próprio governo norte-americano e revelam que o Brasil é um dos poucos países com os quais os Estados Unidos mantêm negociações que traz resultados favoráveis aos norte-americanos.
No informe, as autoridades do governo Trump ainda indicam que o déficit comercial norte-americano atingiu recorde histórico em março.
O anúncio do tarifaço promovido pelo republicano fez com que muitas empresas norte-americanas antecipassem importações de produtos, com consequências para o PIB (Produto Interno Bruto) do país, que acabou recuando 0,3% no primeiro trimestre deste ano, resultado que aumentou em 14% o rombo na balança comercial do país, no valor de US$ 140,5 bilhões.
Desde que a guerra comercial foi deflagrada por Trump, o governo brasileiro tem usado o argumento de que o Brasil não é um risco aos EUA, uma vez que a balança comercial entre os dois países é superavitária em favor dos EUA há, pelo menos, duas décadas.
Em abril, o Brasil passou a sofrer uma tarifa de 10% sobre todas suas exportações aos EUA, além de 25% sobre autopeças e o aço, o que tem trazido preocupações a setores exportadores brasileiros.
Argumento de Trump não faz o menor sentido
Desde o início da guerra tarifária deflagrada por Trump, o Brasil tem adotado uma postura de negociar pela via diplomática e não promover retaliações, como tem feito, por exemplo, a China.
Segundo a coluna de Chade, novo levantamento publicado pelo Departamento de Comércio dos EUA mostra que o Brasil é um dos raros casos de uma grande economia que beneficia as exportações norte-americanas. De fato, os EUA mantém um saldo positivo com a América do Sul de US$ 3,2 bilhões.
No domingo (4), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. O encontro ocorreu em Los Angeles, para onde o ministro viajou nesta semana para buscar investimentos em data centers (centro de dados) no Brasil.
Esse foi o primeiro encontro presencial entre as duas autoridades desde a posse de Trump, em 20 de janeiro. Nos Estados Unidos, o secretário do Tesouro tem função equivalente a do ministro da Fazenda no Brasil.
“Recebi um retorno de que ele [Scott Bessent] tem interesse em iniciar o diálogo com o Brasil”, disse Haddad.
Porém, Haddad ressaltou que as negociações comerciais estão sendo conduzidas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente, Geraldo Alckmin.
Para quais países os EUA perdem
Os EUA ainda têm um superávit com a Holanda (US$ 4,5 bilhões), Hong Kong (US$ 1,9 bilhão), Reino Unido (US$ 1,2 bilhão), Cingapura (US$ 500 milhões) e Arábia Saudita (US$ 200 milhões).
Por outro lado, tem déficit comercial com muitos outros parceiros, como de US$ 48 bilhões com a União Europeia, US$ 29 bilhões com Irlanda, US$ 24 bilhões com a China e US$ 16 bilhões com o México.
Os norte-americanos ainda somam saldos negativos com Índia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Canadá, Itália e França, entre outros.