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Setores brasileiros esperam reversão de tarifas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 28/10/2025 às 11:39 · Atualizado há 1 dia
Setores brasileiros esperam reversão de tarifas
Foto: Reprodução / Arquivo

Mesmo sem anúncios concretos até o momento, a reabertura do diálogo entre Brasil e Estados Unidos trouxe esperança aos setores econômicos brasileiros de que haverá reversão das tarifas de até 50% impostas pelo governo de Donald Trump.

No domingo (26), os presidentes Lula e Trump se reuniram em Kuala Lampar, no Malásia, no âmbito do foro criado pela ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Ambos elogiaram o encontro. Na segunda-feira (27), o presidente dos EUA afirmou que a reunião foi “muito boa”, mas não garantiu um acordo para o fim das tarifas sobre produtos brasileiros.

“Eles gostariam de fechar um acordo. Vamos ver, agora eles estão pagando, acho que 50% de tarifa. Mas tivemos uma ótima reunião”, disse Trump a bordo do avião presidencial a caminho do Japão.

Inicialmente, os EUA aplicaram uma tarifa de 10% sobre todos os produtos do Brasil, ampliando em seguida a cobrança com um adicional de 40%, com poucas exceções. O impacto foi sentido em diversos setores exportadores, com destaque para o café, a carne bovina e os móveis.

Efeito tarifas: Café brasileiro perde espaço, mas mantém liderança

Entre os produtos mais afetados, o café — item amplamente consumido nos Estados Unidos — sofreu forte retração nas exportações. Segundo o Cecafé (Conselho Nacional dos Exportadores de Café), os embarques do Brasil para o mercado americano caíram 53% em setembro de 2025 frente ao mesmo mês de 2024, somando 333 mil sacas.

Apesar da queda, os Estados Unidos seguem como principal comprador do café brasileiro entre janeiro e setembro, com 4,36 milhões de sacas importadas, equivalentes a 15% dos embarques totais. Alemanha, Itália e Japão aparecem na sequência.

Carne bovina diversifica mercados

O setor de carne bovina também sentiu os efeitos do tarifaço, mas manteve desempenho expressivo graças à diversificação de destinos, especialmente China e México. De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o Brasil bateu recorde histórico em setembro, exportando 352 mil toneladas, alta de 31% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Mesmo com retração pontual nas vendas aos EUA, o país segue como mercado estratégico para o produto brasileiro. No acumulado de 2025, as exportações de carne bovina aos Estados Unidos cresceram 64,6% em volume e 53,8% em valor frente a 2024.

A Abiec avalia que o entendimento político entre Lula e Trump pode garantir previsibilidade aos exportadores e preservar a competitividade da carne brasileira no mercado americano, segundo maior destino das vendas nacionais.

Têxteis e móveis buscam retomada gradual

No setor têxtil, o tom é de cautela. Entidades do setor acreditam que a reversão imediata das tarifas adicionais de 40% é improvável, mas celebram a retomada do diálogo.

A Abimóveis (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) disse, em nota, que a reaproximação entre os governos é um passo essencial, destacando que as tarifaço provocaram queda nas exportações e impactos severos em polos moveleiros de Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, com demissões e cancelamento de contratos.

Embora o caminho até a redução efetiva das tarifas ainda seja incerto, representantes empresariais destacam que a retomada de um diálogo técnico e previsível já representa um avanço após um período marcado por tensões e perdas bilaterais.

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