Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, morreu durante a guerra na Ucrânia cerca de um mês antes do fim do contrato de experiência, segundo a família.
Gustavo morreu durante uma missão na região de Donbass, conforme relato da família. A morte foi confirmada no domingo (4) pelo comandante da unidade em que ele atuava, a 60ª Brigada ucraniana, segundo Rafaela Alves, esposa de Gustavo.
Segundo a esposa, ele queria retornar ao Brasil e chegou a pedir ajuda para voltar ao país.
Família recebeu a notícia da morte de Gustavo no dia 4 de janeiro. — Foto: Arquivo pessoal
O paranaense Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, morreu durante a guerra na Ucrânia cerca de um mês antes do fim do contrato de experiência, segundo a família. Segundo a esposa, Rafaela Alves, ele queria retornar ao Brasil e chegou a pedir ajuda para voltar ao país.
Gustavo morreu durante uma missão na região de Donbass, conforme relato da família. A morte foi confirmada no domingo (4) pelo comandante da unidade em que ele atuava, a 60ª Brigada ucraniana, segundo Rafaela Alves, esposa de Gustavo. O casal estava junto há cinco anos e têm um filho de três. Eles são de Curitiba, e Rafaela morava em Brasília com o filho.
O último contato entre o casal ocorreu na madrugada de 29 de dezembro, por volta das 4h50, quando Rafaela recebeu áudios enviados por um oficial. Em uma das mensagens, com cerca de 50 segundos, Gustavo disse que tinha esperança de voltar ao Brasil, que o contrato estava perto do fim e que sentia saudades da família, especialmente dos avós.
Rafaela afirma que mantinha contato frequente com o companheiro por meio de um oficial de comunicações.
Eu recebia notícias dele pelo menos uma vez por semana. Na última semana, não recebi nada. Mandei mensagem para o comandante e foi ele quem confirmou a morte
— disse.
Gustavo deixa um filho de três anos — Foto: Arquivo pessoal
Segundo Rafaela, Gustavo estava com medo e disse que havia sido enganado.
Apenas seis dias após chegar ao país, Gustavo pediu ajuda urgente à Embaixada do Brasil para retornar ao país, segundo a família. O pedido foi feito por e-mail em 27 de julho de 2025.
No e-mail, ao qual o g1 teve acesso, Gustavo relatou dificuldades na estadia no país, afirmou estar em situação de vulnerabilidade e pediu orientação urgente para retornar para casa.
O g1 entrou em contato com o Itamaraty e com o consulado brasileiro em Kiev, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
O Ministério das Relações Exteriores divulgou em junho do ano passado um alerta para que brasileiros recusem propostas de alistamento voluntário em forças armadas estrangeiras. Veja abaixo.
Antes de ir para a guerra, Gustavo trabalhava como administrador e também atuava como motoboy. Ele serviu ao Exército Brasileiro em 2018.
Gustavo era uma pessoa muito amada, conquistava o coração de todos por onde passava. Sonhava em servir o país, assim como o avô e o tio. Era um pai incrível, com o sonho de dar uma vida melhor para o filho
— afirmou a esposa.
Ele foi para a Ucrânia em julho de 2025. Segundo a família, ele passou por um treinamento básico de cerca de 20 dias e foi informado de que participaria de uma missão de curta duração, de aproximadamente 15 dias. Após ser enviado para a missão, ficou meses sem contato direto.
Informações obtidas pela família com outros brasileiros que atuam na região indicam que Gustavo estava na linha de frente, em uma área conhecida como Donbass, quando houve o avanço das tropas russas.
Após a confirmação da morte, Rafaela tentou novo contato com o comandante da unidade, mas não recebeu mais respostas. Ela também contatou o consulado e a Embaixada brasileira. O corpo dele não deve ser enviado ao Brasil.
Em junho do ano passado, o Ministério das Relações Exteriores divulgou um alerta sobre o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, no contexto de guerras armadas.
Segundo o órgão, tem sido registrado aumento no número de casos brasileiros que morrem em conflito ou que encontram dificuldades para interromper a participação no serviço.
severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os voluntários e as forças armadas de outros países
— Por isso, o ministério recomendou que propostas de trabalho para fins militares sejam recusadas. De acordo com o órgão, a assistência consular, nesses casos, pode ser .
A guerra na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país.
A Ucrânia conta com apoio militar, financeiro e humanitário de países ocidentais, como os Estados Unidos e a União Europeia. A Rússia, por outro lado, enfrenta sanções econômicas internacionais.
Apesar das negociações em curso, não há perspectiva concreta de fim da guerra.
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