Por Bruno Ribeiro
(Folhapress) – O presidente Lula (PT) defendeu neste sábado (18), em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, diante de uma plateia de estudantes do ensino médio, que o país aumente os gastos com educação, mesmo sabendo que “a Faria Lima vai brigar com a gente”.
O petista afirmou ainda que quer criar uma doutrina de educação latino-americana para que “nunca mais um presidente de outro país ouse falar grosso com o Brasil”, em uma referência indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em seu discurso, Lula disse que a desigualdade histórica do país deu menos oportunidades a mulheres, negros e indígenas e focou parte das falas nesse grupo, especialmente nas mulheres, dizendo que a educação leva ao aumento de renda e que a independência financeira pode afastar meninas de companheiros agressores.
Lula defende universalizar Pé-de-Meia
Lula defendeu universalizar o programa Pé-de-Meia, que faz repasses a alunos do ensino médio como forma de combater a evasão escolar, e fez críticas à elite financeira do país.
Tem um aluno que recebe o Pé-de-Meia e outro [na mesma classe] que não recebe. E a diferença de salário é 50 centavos, é 100 centavos. Então, nós temos que aprovar a universalização do Pé-de-Meia para que todas as pessoas possam ter o direito de estudar
— disse.
É difícil, a Faria Lima vai brigar com a gente, o banqueiro vai reclamar. ‘Nossa, esse governo está gastando R$ 13,8 bilhões com o Pé-de-Meia. Poderia estar aqui na Faria Lima para a gente ganhar mais dinheiro’
— afirmou.
Em outro trecho do discurso, contudo, Lula disse que não queria “prejudicar ninguém”, em nova referência às elites.
Eu não quero prejudicar ninguém, mas quero que a filha da empregada doméstica possa fazer o Enem ao lado do filho da patroa dela.
O presidente, que deve disputar a reeleição no ano que vem, tem visto seus índices de popularidade, que estavam em queda, crescerem nos últimos meses, especialmente após o tarifaço imposto por Donald Trump em retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL).
Recado para Trump
No discurso, ele não citou o norte-americano diretamente, mas defendeu a independência do Brasil.
A gente quer formar uma doutrina latino-americana, com professores latino-americanos, estudantes latino-americanos, para que a gente possa sonhar que esse continente vai ser independente e que nunca mais um presidente de outro país ouse falar grosso com o Brasil. Não é uma questão de coragem, é uma questão de dignidade e de caráter
— disse.
Em sua fala, o presidente buscou motivar os jovens a ingressar na política e fez críticas implícitas ao Congresso e à aprovação, pela Câmara, da PEC da Blindagem, no mês passado.
Não desanimem. Quando vocês verem que a classe política está querendo aprovar uma lei que garanta impunidade para ladrão, ainda assim não desistam. Entrem para a política, porque o político bom está dentro de vocês
— afirmou Lula.
A desgraça de quem não gosta de político é que ele é governado por quem gosta. E, se quem gosta for um tranqueira, vocês serão governados por uma tranqueira. Não coloquem raposa para tomar conta do galinheiro
— disse em outro trecho.
Lula não fez nenhuma outra referência política no discurso, centrado em sua trajetória, nem ao SFT (Supremo Tribunal Federal), que aguarda dele uma indicação para substituir o ministro Luís Roberto Barroso, que anunciou sua saída da corte nesta semana. Na platéia do ginásio, havia uma faixa pedindo uma mulher negra na corte.
O presidente estava em São Bernardo, seu berço eleitoral, para o encontro da CPOP (Rede de Cursinhos Populares), voltado à preparação de alunos para o vestibular, no ginásio poliesportivo da cidade. Os ministros Camilo Santana (Educação) e Fernando Haddad (Fazenda) também participaram do evento.
No evento, o ministro da Educação afirmou que o governo ampliará para 500 o número de cursinhos populares apoiados pelo programa (atualmente, são 384) no ano que vem, quando Lula tentará a reeleição.
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