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Os índices futuros dos Estados Unidos operam em queda nesta terça-feira (3), refletindo a crescente tensão comercial entre as principais economias globais.
O impasse entre EUA e China se intensificou após acusações do presidente Donald Trump sobre violações de um acordo comercial por parte de Pequim, o que gerou resposta imediata do governo chinês. A União Europeia também entrou na disputa, ao se opor à proposta norte-americana de dobrar tarifas sobre aço e alumínio.
Enquanto isso, os mercados aguardam com atenção os discursos de três dirigentes do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) — Austan Goolsbee, Lisa Cook e Lorie Logan — em busca de sinais sobre a trajetória da política monetária.
No campo dos dados econômicos, destaque para o relatório JOLTS, que pode oferecer pistas iniciais sobre o mercado de trabalho antes da divulgação do payroll na sexta-feira (6).
No Brasil, a agenda econômica traz, nesta manhã, o dado de produção industrial, importante termômetro da atividade no setor manufatureiro nacional.
Brasil
O Ibovespa fechou a segunda-feira (2) com recuo de 0,18%, aos 136.786 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,75%, a R$ 5,675. Os juros futuros (DIs) avançaram em toda a curva, sinalizando cautela dos investidores.
O aumento das tarifas sobre o aço anunciado por Donald Trump — de 25% para 50% — reacendeu as tensões comerciais. A União Europeia reagiu com ameaça de retaliação, o que pressionou as bolsas europeias e inicialmente derrubou os índices em Nova York. A possibilidade de uma conversa entre Trump e Xi Jinping amenizou o cenário e ajudou Wall Street a fechar em alta.
No Brasil, o foco segue na questão fiscal. O impasse em torno da proposta de mudança no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aumenta a incerteza doméstica. A alta da Selic já preocupa setores como o de infraestrutura, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento).
Europa
As bolsas europeias operam sem direção única, em meio à cautela dos investidores antes da divulgação dos dados antecipados de inflação ao consumidor referentes a maio. Os dados preliminares da inflação na zona do euro devem apontar uma queda para 2% em maio, fortalecendo as expectativas de que o BCE (Banco Central Europeu) promova um corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros em sua reunião de quinta-feira (5).
STOXX 600: -0,07%
DAX (Alemanha): +0,30%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,13%
CAC 40 (França): -0,20%
FTSE MIB (Itália): +0,24%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA recuam hoje, pressionados pelas tensões comerciais envolvendo EUA, China e União Europeia. Enquanto isso, investidores aguardam a divulgação do relatório JOLTS de abril.
Dow Jones Futuro: -0,54%
S&P 500 Futuro: -0,58%
Nasdaq Futuro: -0,59%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam mistas, após a divulgação dos dados do índice de gerentes de compras (PMI) industrial Caixin/S&P Global, que caiu para 48,3, ante 50,4 registrados em abril. A retração foi impulsionada por uma queda mais forte nos novos pedidos de exportação, evidenciando o impacto das tarifas punitivas impostas pelos Estados Unidos.
Shanghai SE (China), +0,43%
Nikkei (Japão): -0,06%
Hang Seng Index (Hong Kong): +1,42%
ASX 200 (Austrália): +0,63%
Petróleo
Os preços do petróleo sobem devido a preocupações com a oferta, com o Irã prestes a rejeitar uma proposta de acordo nuclear dos EUA que seria fundamental para aliviar as sanções ao grande produtor de petróleo, e com a produção no Canadá atingida por incêndios florestais.
Petróleo WTI, +0,74%, a US$ 62,98 o barril
Petróleo Brent, +0,62%, a US$ 65,03 o barril
Agenda
Nos EUA, será divulgado o relatório JOLTS, com dados de abril do mercado de trabalho, e encomendas à indústria.
Por aqui, no Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta segunda-feira a preservação da flexibilidade da autarquia para consumir dados e seguir na calibragem de qual é a taxa de juros terminal, destacando que a instituição ainda está discutindo o ciclo de alta na taxa básica de juros, a Selic — e não quando começará o ciclo de cortes da taxa. Ele também comentou, em palestra no CDPP (Centro de Debates de Políticas Públicas), sobre o uso do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre crédito, afirmando que o imposto deveria ter uma função regulatória. “Sempre tive a visão de que não deveríamos usar o IOF para política arrecadatória, nem para apoio à política monetária”, afirmou.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg