Um estudo da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, revelou que quase um terço dos infartos em adultos com menos de 65 anos é causado por fatores diferentes do entupimento das artérias, tradicionalmente apontado como a principal origem dos ataques cardíacos.
A pesquisa, publicada no Journal of the American College of Cardiology, analisou dados de 2.780 pacientes acompanhados entre 2003 e 2018, dentro do projeto Rochester Epidemiology, que reúne informações médicas de milhares de moradores do condado de Olmsted, em Minnesota.
Os resultados indicam uma diferença marcante entre os sexos: 53% dos infartos em mulheres foram provocados por causas não tradicionais, como dissecação espontânea das artérias coronárias (DEAC) e embolia. Entre os homens, esse índice foi de 25%.
Apesar da incidência de ataques cardíacos ser menor entre mulheres, 48 casos a cada 100 mil por ano, contra 137 entre homens, os pesquisadores destacam que as causas nesses casos costumam ser subestimadas ou diagnosticadas de forma equivocada.
A DEAC, por exemplo, foi quase seis vezes mais comum em mulheres do que em homens. O problema, que geralmente atinge mulheres jovens e saudáveis, muitas vezes foi confundido com o infarto típico causado pelo acúmulo de placas nas artérias. A condição ocorre quando há uma ruptura na parede da artéria cardíaca, bloqueando ou reduzindo o fluxo sanguíneo para o coração, e exige tratamento emergencial.
Esta pesquisa lança luz sobre causas de ataque cardíaco que historicamente têm sido pouco reconhecidas, especialmente em mulheres. Quando a origem do problema é mal compreendida, os tratamentos podem ser menos eficazes ou até inadequados
— explicou a cardiologista Claire Raphael, primeira autora do estudo.
Outro dado relevante é que infartos associados a anemia ou infecção foram a segunda causa mais comum e também a mais letal: a taxa de mortalidade em cinco anos chegou a 33%, mesmo quando o nível de danos cardíacos parecia menor. Casos sem explicação definida foram raros, representando menos de 3%.
Quase um terço dos infartos em adultos com menos de 65 anos é causado por fatores diferentes do entupimento das artérias
Infartos
Para o cardiologista Rajiv Gulati, autor sênior do estudo, os achados devem influenciar a forma como médicos avaliam e tratam infartos em pacientes mais jovens.
!function(f,b,e,v,n,t,s) {if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod? n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)}; if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0'; n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0; t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0]; s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,'script', ' fbq('init', '1407078100043444'); fbq('track', 'PageView');Nossa pesquisa mostra a necessidade de mudar a abordagem, especialmente em mulheres adultas jovens. Clínicos devem estar atentos a condições como DEAC, embolia e fatores relacionados ao estresse, enquanto os pacientes precisam buscar respostas quando algo não parece certo. Entender por que um ataque cardíaco ocorreu é tão importante quanto tratá-lo, isso pode significar a diferença entre recuperação e recorrência
— afirmou.