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'Espero que não venham', mas se vierem, 'SP vai receber todos com carinho', diz Nunes sobr

Por Paola Patriarca, Paulo Gomes, Walace Lara, g1 SP e TV Globo — São Paulo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 20:56 · Atualizado há 6 horas
'Espero que não venham', mas se vierem, 'SP vai receber todos com carinho', diz Nunes sobr
Foto: Reprodução / Arquivo

Por Paola Patriarca, Paulo Gomes, Walace Lara, g1 SP e TV Globo — São Paulo

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse nesta segunda-feira (5) que espera que os venezuelanos não precisem mais migrar para a capital paulista para fugir da Venezuela já que houve a captura do presidente Nicólas Maduro pelos Estados Unidos.

Professora Bernardete Aparecida Pereira Godoi

— A declaração ocorreu durante coletiva de imprensa após a entrega de títulos de regularização fundiária urbana da CDHU com o governador em exercício Felicio Ramuth na Escola Estadual .

O prefeito também afirmou que tem ouvido muitas manifestações sobre direito internacional, mas disse que há um direito fundamental que estaria sendo ignorado, o da 'dignidade humana'.

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a Prefeitura de São Paulo tem atualmente 1.009 imigrantes venezuelanos acolhidos na rede assistencial do município.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) — Foto: JFDiorio/Secom/PMSP

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse nesta segunda-feira (5) que espera que os venezuelanos não precisem mais migrar para a capital paulista para fugir da Venezuela, já que houve a captura do presidente Nicólas Maduro pelos Estados Unidos.

Agora que foi capturado o ditador Nicolás Maduro, que estava exercendo a Presidência de forma ilegítima, porque ele fraudou as eleições e tiveram mais de 8 milhões de venezuelanos que tiveram que fugir do seu país, a gente espera que com essa situação do afastamento dele diminua a necessidade de que as pessoas fujam

— afirmou.

A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa após a entrega de títulos de regularização fundiária urbana da CDHU com o governador em exercício Felicio Ramuth na Escola Estadual Professora Bernardete Aparecida Pereira Godoi.

O prefeito também afirmou que tem ouvido muitas manifestações sobre direito internacional, mas disse que há um direito fundamental que estaria sendo ignorado, o da "dignidade humana".

Segundo ele, há diversos relatos de venezuelanos nas redes sociais, tanto os que ainda vivem no país quanto os que precisaram fugir, pedindo para outras pessoas pararem de opinar sobre uma realidade que não vivenciaram.

Eu acho que só quem já viveu ditadura pode ter condições de dizer sobre essa ação de você tirar o ditador do país, né? [....] Então, a gente precisa ter primeiro a questão de um direito fundamental, que é o direito da dignidade humana. Que direito internacional você pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza? Quando você tem um estado que expulsa 8 milhões de venezuelanos? Quer dizer, é muita demagogia.

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a Prefeitura de São Paulo tem atualmente 1.009 imigrantes venezuelanos acolhidos na rede assistencial do município. A pasta diz que eles estão em centros de acolhida exclusivos para estrangeiros, nas Vilas Reencontro e em outros equipamentos da administração municipal.

Além do acolhimento, a prefeitura oferece orientação para a regularização migratória, acesso a direitos sociais e inclusão social, entre outros serviços, no Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) Oriana Jara, na região central. Em 2025, foram atendidos 1.538 cidadãos vindos da Venezuela nesta unidade

— afirmou a pasta.

Já sobre o Centro de Acolhida Especial para Famílias (CAEF) Ebenezer, que acolhe 157 imigrantes, entre eles cinco famílias venezuelanas, a secretaria disse que segue em funcionamento normalmente.

Em dezembro do ano passado, a prefeitura tinha decidido encerrar o funcionamento do Caef Ebenezer. A decisão havia sido tomada de forma unilateral e foi contestada pela entidade responsável pela gestão do espaço e pela Defensoria Pública, que acompanhava o caso com preocupação.

Após decisão liminar da Justiça de São Paulo, no entanto, a prefeitura recuou e informou que não fecharia mais o Centro de Acolhida.

A entrada de novos usuários está sendo realizada de forma planejada como parte do processo de aprimoramento da rede socioassistencial, visando melhorar o atendimento à população. A medida tem como objetivo adequar a oferta de vagas aos novos modelos de acolhimento adotados pelo município, como as Vilas Reencontro, que priorizam a autonomia das famílias

— ressaltou a secretaria em nota divulgada nesta segunda-feira (5).

Na capital paulista, organizações da sociedade civil têm papel fundamental no acolhimento de refugiados. Uma delas é a Missão Paz, localizada no bairro da Liberdade, no Centro. Na tarde desta segunda, o padre Paolo Parise, que atua na instituição, participou de uma reunião para discutir a possibilidade de um novo aumento na chegada de refugiados.

No auge da chegada de venezuelanos, a Missão Paz chegou a atender dezenas de famílias por dia, oferecendo alimentação, orientação e encaminhamento para serviços básicos e trabalho. As organizações que atuam no acolhimento alertam que a situação pode se agravar caso o número de imigrantes aumente nas próximas semanas.

Para o vice-diretor da Cáritas, braço social da Igreja Católica, o principal gargalo atualmente é a falta de infraestrutura, especialmente de abrigos adequados para receber essa população.

Nos preocupa aqui no Brasil a chegada de um novo fluxo migratório, porque o país hoje não está preparado para acolher um grande fluxo de venezuelanos. Muitas organizações fecharam seus projetos, não existem vagas próprias para migrantes e refugiados, e a própria Operação Acolhida, que foi elaborada em 2018 para receber os venezuelanos, já foi desmontada. Existem apenas algumas ações em Roraima, então nos preocupa esse contexto

— disse o padre Marcelo Maróstica Quadro, vice-diretor da Cáritas.

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