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Dentro do esperado por analistas, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. A decisão unânime entre os nove membros do comitê, divulgada nesta quarta-feira (30) depois do fechamento do mercado financeiro, reflete a combinação de pressões inflacionárias persistentes, expectativas desancoradas e um cenário externo mais incerto e adverso, especialmente por conta da política econômica dos Estados Unidos.
Segundo o comunicado, o ambiente internacional tem imposto volatilidade às condições financeiras globais, exigindo atenção redobrada de economias emergentes.
O Copom também destacou a “conjuntura marcada por tensão geopolítica”, citando de forma específica os recentes anúncios de tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil, as quais foram confirmadas nesta quarta-feira, mas com uma lista de quase 700 exceções.
Copom: mercado de trabalho aquecido e pressão inflacionária
No cenário doméstico, o Comitê observou uma moderação no crescimento econômico, como esperado, mas apontou que o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo, o que contribui para a pressão inflacionária.
Além disso, a inflação corrente e as medidas subjacentes continuam acima da meta, e as projeções futuras não mostram alívio significativo: as expectativas para 2025 e 2026 estão em 5,1% e 4,4%, respectivamente — ambas acima do centro da meta de 3%.
Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado
— afirmou o Comitê.
Postura vigilante
Apesar de manter os juros estáveis pela segunda reunião consecutiva, o BC reiterou sua postura vigilante, não descartando um novo ciclo de alta, se necessário.
Entre os principais riscos de alta para a inflação, o Copom cita uma desancoragem prolongada das expectativas, a resiliência da inflação de serviços e uma conjuntura interna e externa que pressione ainda mais o câmbio. Por outro lado, os riscos de baixa incluem uma eventual desaceleração doméstica ou global mais forte que o previsto.
Efeitos dos juros
O comunicado também reforça que os efeitos dos juros elevados ainda estão em curso e que o Comitê precisa avaliar com cautela o impacto acumulado das medidas já implementadas: “Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado”.
O Copom reiterou que não hesitará em retomar o aperto monetário caso julgue apropriado, e que os próximos passos da política de juros poderão ser ajustados de acordo com a evolução do cenário econômico.
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