Publicidade
Capa / Brasil

Cidade no interior de SP tem 5 PMs presos por suspeita de agiotagem e execução de rivais

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 27/06/2025 às 20:00 · Atualizado há 1 dia
Cidade no interior de SP tem 5 PMs presos por suspeita de agiotagem e execução de rivais
Foto: Reprodução / Arquivo

ouça este conteúdo

00:00 / 00:00

1x

Por Ponte Jornalismo

Cinco policiais militares, sendo quatro da ativa e um outro recém-exonerado, foram presos em um intervalo de um mês, em meio a investigações contra uma rede de agiotagem, lavagem de dinheiro e ameaças em São José do Rio Preto (SP). Também é apurada no caso a possível participação dos PMs em assassinatos até então sem esclarecimento — em que agiotas rivais teriam sido mortos a mando da organização criminosa.

Quatro dos militares foram presos em uma operação deflagrada dia 17 de maio. São eles: o segundo sargento Saint Clair Soares e o cabo Carlos Henrique da Cruz Cândido, ambos do 17º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), sediado em São José do Rio Preto; o primeiro sargento Rafael Soares, lotado até então em Mirassol, um município vizinho, no 52º BPM/I; e o ex-policial Alan Victor Soares, que já estava afastado do trabalho e ocupava o cargo de segundo sargento do 8º BPM/I, de Campinas, quando foi exonerado por vontade própria em novembro do ano passado. Já o cabo Felício Pereira Alonso Soler, também do 52º BPM/I, foi preso na última terça-feira (17/6).

Alan e Rafael são irmãos, além de serem primos de Saint Clair. As prisões deles ocorreram em meio à operação Aequitas, deflagrada pela Corregedoria da PM em cumprimento de mandados expedidos pela Justiça Militar. Na ocasião, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra civis suspeitos de agiotagem e com os quais os policiais estariam atuando. Há ainda ao menos um sexto PM investigado no caso, um soldado do 17º BPM/I, mas que não foi preso até o momento.

Todos eles são investigados tanto pela Polícia Militar quanto pela Polícia Civil, em inquéritos ainda em andamento e que tramitam sob sigilo. A Ponte teve acesso a detalhes do que está sendo apurado.

Suspeitos em uma moto preta e sem placas apareceram em ao menos dois dos homicídios investigados (Foto: Reprodução)

Mortes a mando de agiotas

A investigação teve início a partir de denúncias de testemunhas protegidas. Segundo elas, os policiais estavam atuando em conjunto com agiotas para ameaçar supostos devedores. Eles também teriam participado de até seis assassinatos com circunstâncias parecidas, ocorridos em 2023.

O primeiro dos homicídios ocorreu em 3 de março daquele ano. Na ocasião, Jefferson Caetano Barbosa, de 26 anos, foi executado em São José do Rio Preto com um tiro de espingarda calibre 12 na cabeça. Uma mulher agiota teria contratado Alan Victor, segundo uma testemunha, para que matasse a vítima em vingança pela morte do marido, um traficante de drogas assassinado em 2022.

Ainda de acordo com a investigação, o então sargento teria combinado com o irmão, Rafael, para que retirasse intencionalmente da região do crime viaturas do 9° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (9º Baep) que estivessem em circulação.

Felício também teria participado na ocasião, fora de serviço, conduzindo um Volkswagen Gol cinza. Os três policiais já eram investigados pelo suposto cometimento do assassinato por meio de inquéritos ainda em andamento e anteriores a esses que tratam agora do esquema de agiotagem.

Circunstâncias parecidas nos assassinatos

Um Volkswagen Gol cinza também apareceu em um outro homicídio não esclarecido que pode, segundo as investigações, ter ligação com os policiais, de 9 de novembro de 2023. Na ocasião, duas pessoas embarcadas no veículo dispararam com um fuzil .556 contra Kleber Lucio Souza de Oliveira. A investigação do episódio está em andamento.

Em um outro caso do mês de novembro de 2023, Tiago José Rocha, que mantinha negócios com agiotas parceiros dos policiais, morreu após ser baleado quando saía de uma boate, no dia 16. Os tiros partiram de dois suspeitos que passaram em uma motocicleta Yamaha XT660 de cor preta e sem placas. Uma testemunha protegida afirmou que a morte teria sido encomendada a Alan e Saint Clair por um agiota com quem Tiago negociou uma moto. A apuração foi arquivada, sem descoberta de autoria até então.

Em um quarto caso, de 30 de dezembro daquele ano, dois atiradores de capacete também embarcados em uma Yamaha XT660 preta e sem placas dispararam contra José Rodrigues de Souza Oliveira, que teria ligação com o ramo da agiotagem. A vítima estava sentada na garagem de casa quando foi surpreendida pelos agressores. A investigação do caso segue em aberto.

Houve ainda outros dois homicídios em 2023 que, de acordo com as investigações, podem estar associados aos policiais. No primeiro deles, de 14 de setembro daquele ano, Diego Ermenegildo de Souza foi morto a tiros ao ser rendido por três pessoas. Na cena, foram achadas munições de calibre .380. Embora não tivesse ligação aparente com a agiotagem, Diego chamou a atenção por ter em seu nome diversos veículos, imóveis e até embarcações, sendo dono de uma borracharia. A apuração do episódio foi arquivada, sem descoberta de autoria.

Já no outro caso, de 22 de dezembro e com investigação ainda em aberto, Jefferson Cristiano de Souza foi morto com 30 tiros por dois homens que invadiram seu condomínio e o perseguiram no estacionamento.

Ostentação nas redes sociais

Além de se debruçar sobre os assassinatos, a investigação apontou relação próxima entre os policiais suspeitos e agiotas de São José do Rio Preto, inclusive com exposição nas redes sociais. Um dos agiotas publicou fotos e vídeos de uma extravagante festa de aniversário, com direito a chegada com uma limousine e na qual confraternizou com Rafael, Alan e Saint Clair, além do sexto PM investigado no caso.

Em um dos registros, o agiota fala que ali estão apenas os “milionários”: “Só work no negócio, só a alta de Rio Preto”. Em uma postagem de uma outra ocasião, ele aparece dentro de um carro junto de Carlos Henrique, outro dos policiais já presos — segundo as investigações, o agente público faria um trabalho informal de escolta e de motorista para o agiota nos horários de folga da PM-SP.

Também foram ouvidas testemunhas que afirmaram terem sido ameaçadas por Alan e um outro policial suspeito a mando de um quarto agiota citado na investigação, para que pagassem supostas dívidas.

O que dizem os policiais presos

A Ponte procurou, por e-mail, as defesas já constituídas no caso dos policiais Alan Victor Soares, Carlos Henrique da Cruz Cândido, Saint Clair Soares e Rafael Soares. Apenas a defesa de Carlos Henrique retomou o contato: “O procedimento inquisitorial segue em segredo de justiça, daí porque não nos cabe dar informações, senão a de que nosso cliente provará inocência dentro das vias processuais adequadas”, escreveu o advogado Azor Lopes da Silva Júnior.

A reportagem ainda tenta identificar a defesa do policial Felício Pereira Alonso Soler.

A Ponte também questionou a Secretaria da Segurança Pública paulista (SSP-SP) sobre as circunstâncias das prisões e o andamento dos inquéritos sobre os policiais, mas não obteve retorno até esta publicação. Se houver, a reportagem será atualizada.

!function(f,b,e,v,n,t,s) {if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod? n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)}; if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0'; n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0; t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0]; s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,'script', ' fbq('init', '1407078100043444'); fbq('track', 'PageView');

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade