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54% acham prisão de Bolsonaro justa; 34% defendem pena em casa, diz Datafolha

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/12/2025 às 14:17 · Atualizado há 5 horas
54% acham prisão de Bolsonaro justa; 34% defendem pena em casa, diz Datafolha
Foto: Reprodução / Arquivo

Por Igor Gielow

(Folhapress) – A prisão de Jair Bolsonaro (PL) foi considerada justa por 54% dos eleitores brasileiros, aponta levantamento do Datafolha, enquanto 40% pensam o contrário. Para 34%, o ex-presidente deveria executar sua pena em mansão.

A realização da pena a 27 meses e três meses de prisão, determinada pelo Supremo Tribunal Federalista pelo papel médio na trama golpista que visava mantê-lo no poder depois a roteiro para Lula (PT) na eleição presidencial de 2022, começou no dia 25 de novembro.

Três dias antes, o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo e juiz de realização da pena, havia mandado prender Bolsonaro depois o ex-presidente tentar romper sua tornozeleira eletrônica com um ferro de soldadura.

Ele cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto, depois ter violado medidas cautelares determinadas por Moraes na reta final de seu julgamento. Em 11 de setembro, acabou sentenciado ao lado de outros sete réus do chamado núcleo médio da trama.

O Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais de terça-feira (2) a quinta (4) em 113 cidades do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Não souberam estimar se a prisão foi justa ou não 6% dos ouvidos.

Disseram ter tido conhecimento da pena definitiva de Bolsonaro e estarem muito informados 36%. Porcentagem similar, 37%, disse ter conhecimento e estar mais ou menos informado; 11% se disseram mal informados, e 16% afirmaram não ter tomado conhecimento.

Acerca da questão do sítio do cumprimento da pena, que gera pressão dos aliados do ex-presidente e de sua resguardo, os entrevistados que não apontaram a prisão domicilar porquê a melhor se dividiram entre presídio generalidade (26%), unidade militar (20%) ou uma sede da Polícia Federalista (13%). Não souberam responder 7%.

Bolsonaro está recluso na superintendência da PF em Brasília, em uma sala com móveis básicos e banheiro. Moraes decidiu mantê-lo lá logo depois o chamado trânsito em julgado, o fechamento do processo, no dia 25 pretérito.

Uma vez que a resguardo queria que o ex-presidente fosse para mansão alegando os problemas de saúde do político, o ministro argumentou que na PF ele terá séquito diuturno de médicos.

A decisão foi fortemente influenciada pelo incidente da tentativa de rompimento da tornozeleira e do histórico de fuga de bolsonaristas condenados pela Justiça ou que estão sendo objeto de processos.

Foram para os Estados Unidos o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem, sentenciado com Bolsonaro e hoje fugido, e o rebento do ex-presidente Eduardo, deputado pelo PL-SP que é claro de investigação réu de forçar o STF com sua campanha contra o Brasil junto ao governo americano.

O temor maior dos defensores de Bolsonaro, porém, era que ele fosse enviado para o multíplice prisional da Papuda, perto de Brasília. Foram presos lá, no dentro chamado Papudinha, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Já os oficiais-generais condenados, os ex-ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (Resguardo), além do ex-comandante da Marinha Almir Garnier, foram para unidades militares. O delator Mauro Cid, tenente-coronel que foi ajudante de ordens de Bolsonaro, cumpre pena em regime descerrado.

A prisão deles é um marco num país com histórico de golpes militares executados ou fracassados, e tem tensionado as Forças Armadas, principalmente o Tropa, a mais importante delas.

Questionados sobre a opinião de ver os generais da Força condenados, 57% dos eleitores consideraram a medida justa, e 30%, injusta. Já 13% não souberam responder.

A imagem do Tropa, que no imaginário popular se confunde com o estamento militar porquê um todo, sofreu arranhão: 26% disseram ter uma visão pior da Força com o incidente, diante de 57% que não mudaram sua opinião. Já 12% tiveram uma sensação melhor. Dada a turbulência dos anos Bolsonaro no setor, o resultado deverá trazer conforto à caserna.

Pela estimativa de especialistas, o ex-presidente terá recta a progressão de pena para o regime semiaberto em 2033. Ele já estava sem direitos políticos até 2030 desde 2023, quando foi sentenciado pela Justiça Eleitoral por sua campanha contra o sistema de votação eletrônico do país. Com as novas penas a ele aplicadas, está fora da urna que combateu até 2060.

Uma vez que seria previsível neste momento, o início do cumprimento da pena é visto de maneira díspar a depender do paladar político do entrevistado.

Grupos associados ao bolsonarismo tendem a considerar mais a prisão injusta. Isso ocorre entre evangélicos (55%), moradores do Setentrião/Meio-Oeste (48%), apoiadores do PL (95%) e eleitores do ex-presidente no segundo vez de 2022 (81%).

Na mão contrária, entre os usualmente lulistas, acham mais que a medida do STF foi justa moradores do Nordeste (65%), apoiadores do PT (92%) e quem votou no atual presidente na eleição passada (87%).

Entre quem anulou ou deixou o voto em branco, 57% aprovam a prisão, diante de 23% que a desaprovam.
Nos grandes estratos socioeconômicos aferidos pelo Datafolha, porém, há bastante homogeneidade.

Exclusivamente os jovens, quem tem só ensino fundamental e os de mais baixa renda acham um pouco mais que a prisão foi justa, 60%, 59% e 58%, respectivamente, mas são grupos com margens de erro superiores à média — logo, o cenário semelhante se impõe.

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